A Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados) se posicionou nesta sexta-feira (12), oficialmente sobre a greve anunciada pelos motoristas de ônibus. O Consórcio Guaicurus atribui a falta de pagamento dos salários à inadimplência do poder público, a Prefeitura relata todos os repasses definidos em lei estão em dia e define como inaceitável qualquer paralisação por esse motivo. Em nota, a Agereg informou que notificou o Consórcio no início da tarde de quinta-feira (11), solicitando esclarecimentos e a adoção de medidas para evitar prejuízos à população diante do comunicado de greve feito pelo STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande).
Conforme relato da agência, a administração de Campo Grande mantém regularizados os repasses da subvenção municipal, inclusive com antecipação de 57% do valor referente ao mês de novembro. “A Prefeitura de Campo Grande reafirma que todos os repasses previstos em lei referentes à subvenção municipal estão rigorosamente em dia”, diz o texto, que rejeita a relação direta entre a paralisação anunciada e eventuais pendências financeiras da administração. O posicionamento desmente a justificativa apresentada pelo Consórcio Guaicurus um dia antes, quando a empresa alegou que enfrenta uma grave crise financeira causada justamente pelo atraso nos repasses públicos. A concessionária alega que a falta de regularidade nos pagamentos compromete o equilíbrio econômico-financeiro do contrato e inviabiliza o cumprimento de obrigações básicas, como salários, 13º e custos operacionais, incluindo combustível e manutenção da frota.
Na Câmara Municipal
Na Câmara Municipal de Campo Grande, o problema teve até então, manifestação apenas do vereador Maicon Nogueira (PP), integrante da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Transporte. Para ele, caso a greve se concretize, a paralisação não atenderia aos requisitos legais e o Consórcio poderia ser acionado judicialmente. O vereador também repetiu suspeitas sobre a relação entre o sindicato e a concessionária. “O sindicato é acusado pelos próprios motoristas de ser um braço da diretoria do consórcio para extorquir a prefeitura nas negociações de reajuste tarifário”, afirmou, acusação que já foi rechaçada anteriormente pela direção sindical. A greve está marcada para a próxima segunda-feira (15), após assembleias realizadas nas garagens do Consórcio, nas quais mais de 200 motoristas aprovaram a paralisação por unanimidade. A categoria afirma estar sem receber salário e teme atraso também no pagamento do 13º.
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