Carlos Morandi
O fogo concentrou-se inicialmente em um bloco de casinhas de madeira e metal
Um incêndio de grandes proporções atingiu alguns estabelecimentos comerciais da fronteira seca entre o Paraguai e o Brasil na madrugada desta quinta-feira (30). O sinistro, que destruiu diversas lojas ao longo da Linha Internacional, mobilizou forças de segurança e combate a incêndio de ambos os países e reabriu o debate sobre a precariedade das instalações elétricas e a segurança no setor. As chamas tiveram início por volta das 4h na Rua Dr. Francia, principal artéria comercial de Pedro Juan Caballero, no trecho compreendido entre as ruas Iturbe e Carlos Domínguez. O fogo concentrou-se inicialmente em um bloco de casinhas de madeira e metal — conhecidas localmente como “casillas” — que funcionam como pontos de venda de alimentos e vestuário.
De acordo com o relatório oficial do Comissário Aníbal Franco, as unidades de número 135, 136, 137 e 138 foram completamente consumidas pelo fogo.
A cabine 139 teve danos parciais, principalmente na estrutura do telhado, graças à rápida intervenção dos Bombeiros Voluntários de Pedro Juan Caballero (as cores azul e vermelha atuando em conjunto) e do Corpo de Bombeiros de Ponta Porã (MS), que atravessou a fronteira para apoiar as operações de rescaldo. Embora o rescaldo tenha sido concluído com sucesso, uma controvérsia técnica domina as investigações preliminares.
O Comissário Aníbal Franco indicou que a hipótese principal, compartilhada por alguns comerciantes, é a de um curto-circuito causado pela fiação elétrica obsoleta da região. “A natureza altamente inflamável das mercadorias, como tapetes e roupas, serviu como combustível para a propagação rápida”, explicou Franco. Contudo, a perícia técnica dos bombeiros oferece um diagnóstico mais sombrio. O bombeiro voluntário Robert Galeano afirmou à rádio Urundey 103.3 FM que não foram encontrados indícios típicos de falha elétrica nos pontos críticos de ignição. “Verifiquei as chaves e os componentes elétricos dianteiros; estão todos em ordem. O ponto de início do fogo não apresenta a coloração acinzentada característica de um curto-circuito”, declarou Galeano.
Segundo ele, especialistas brasileiros que auxiliaram no combate compartilham da suspeita de que o incêndio possa ter sido provocado intencionalmente. Para muitos trabalhadores, o incêndio não foi apenas uma perda financeira, mas um trágico déjà vu. A Sra. Eliodora, uma das comerciantes afetadas, relembrou com pesar que exatamente há cinco anos, no mesmo local e na mesma data, um incêndio semelhante destruiu tudo o que ela possuía.
“Parece um pesadelo que não termina. Trabalhamos o dia todo para ver tudo virar cinzas em minutos”, lamentou. A tragédia ecoou na esfera política local. A vereadora Gladys González, que também é comerciante na zona fronteiriça, subiu o tom contra a administração municipal.
González instou as autoridades de Pedro Juan Caballero a realizarem uma revisão técnica rigorosa e uma reforma completa nas fiações e estruturas das galerias populares.
“Não podemos permitir que tragédias recorrentes como esta continuem a ameaçar o sustento de centenas de famílias. É necessária uma intervenção imediata para garantir que o centro comercial da fronteira não seja uma bomba-relógio”, afirmou a vereadora. A Polícia Nacional do Paraguai deve analisar imagens de câmeras de segurança de prédios vizinhos para determinar se houve movimentação suspeita momentos antes do início das chamas. Até o momento, não há registro de feridos, apenas danos materiais vultosos.

Restaram só escombros.
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