A volta do drible

A volta do drible

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Por um tempo, o drible virou artigo de luxo a caminho da extinção no futebol brasileiro. Se nos anos sessenta Caetano Veloso cantou que era “Proibido Proibir”, os professores de plantão, a partir do começo deste século, decretaram que era “Proibido Driblar”. O corte se deu a partir da jogada do Robinho naquela final do Campeonato Brasileiro, entre Santos e Corinthians, e houve uma interrupção para o Neymar com a camisa do Santos (tem que honrar o uniforme) enfileirar os jogadores do Flamengo dez anos depois das pedaladas do Robinho.

Saímos do culto ao drible para a valorização do “Domina e Toca”, como se o futebol fosse matemático e infalível. Uma coisa não pode anular a outra, mas a sociedade que clama por inclusão tem o DNA da exclusão. Se o que vigora é o domina e toca, a arte do drible está aposentada. Nas categorias de base, o decreto foi cumprido à risca, e o garoto que desembarcava no profissional já chegava com o mantra “Domina e Toca” decorado e repetido infinitamente por aqueles pés loucos para pedalarem por sobre a bola. De uns tempos para cá, noto que há alguma coisa fora da ordem. E para o bem!