A judicialização do lockdown e as mortes que não cessam

A judicialização do lockdown e as mortes que não cessam

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Por Adelaido Vila

Nenhum de nós, seja pessoa física, ou jurídica, estava preparado para viver e sobreviver a uma pandemia. O desconhecido nos assusta e as mudanças nem sempre são fáceis de acontecer. A insegurança do momento, sem sabermos exatamente o dia de amanhã, sem podermos planejar a médio e longo prazos nos deixa sem rumo. Viagens canceladas, festas adiadas, vidas perdidas, distanciamento, fechamento de empresas, desemprego e as tantas ações de lockdown e toque de recolher, que nos deixam sem alternativas. *A pandemia do Covid-19 traz lições diárias. E, talvez a maior delas seja a necessidade de não politizarmos. Em tempos de pandemia, o que vemos é que a disputa política potencializou o poder de destruição do vírus e o sofrimento tem se alastrado por toda Campo Grande.
A judicialização do lockdown amplia a nossa insegurança, nos passa a impressão de que o administrador público não sabe mais o que fazer e não possui capacidade de gestão para um momento tão difícil, como o da pandemia. Isso nos traz a sensação de que perdemos. Sensação de que tudo está perdido e que entre tantos atores, as vítimas estão ainda mais desamparadas.
Nem todos podem gozar das benesses de se proteger numa quarentena ficando em casa, completamente isolado. Nossa realidade não se compara com a de países da Europa, por exemplo, onde há recurso para a população fazer efetivamente um lockdown. A nossa massa, grande parte do nosso povo, necessita trabalhar para sobreviver e manter suas famílias.
Além disso, faltam informações e estudos dos hábitos de quem foi contaminado, dificultando ainda mais as tomadas de decisão.
Em um ano eleitoral, quem vai decidir o resultado é o número de mortes. Não apenas as mortes por Covid, mas os que também podem morrer de fome, sem remédio, sem perspectivas.

*Adelaido Vila é Presidente CDL Campo Grande