Baseado em Rondonópolis, bando fatura milhões em furto, roubo, desvio e adulteração...

Baseado em Rondonópolis, bando fatura milhões em furto, roubo, desvio e adulteração de cargas

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Até lixão serve de local para "movimentar" carga desviada. (Divulgação)

Mato Grosso, o maior produtor de grãos do País, se tornou a base de atuação de poderosa quadrilha especializada no roubo, furto e desvio de cargas. Produtores denunciam ser cada vez mais recorrente ocorrências desses crimes em todo o Estado, sendo que a base principal do crime estaria no município de Rondonópolis.

Um exemplo da situação enfrentada por produtores, está nos números mostrando que de janeiro a agosto de 2021, o furto de carga aumentou 334%, se comparado ao mesmo período do ano passado. Já o roubo, o crime com emprego de violência, teve um crescimento nos registros de ocorrências em 118%. Além disso, os saques tiveram uma alta de 49%. São dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).

Conforme grupo de empresários vítimas destes crimes, a cidade de Rondonópolis foi a escolhida para sediar uma rede, que fatura milhões de reais com o desvio e adulteração de cargas de soja, milho, farelo de soja e fertilizantes. O mais preocupante é que não se trata de ladrões comuns. O esquema é altamente sofisticado e envolve desde motoristas de caminhões e carretas, funcionários de indústrias, armazéns e até portos responsáveis pela expedição e recepção de produtos.

O esquema é tão organizado, conforme o empresariado, que já concorre com o tráfico de drogas em volume de movimentação de dinheiro. Detalhes sobre a ação dos criminosos, foram fornecidas por motorista apanhado com carga adulterada e que fez acordo para ser liberado sem denúncia em troca de informações que ajudassem a descobrir membros da organização criminosa.

“Os motoristas são aliciados nos postos de gasolina e dependendo do valor da carga, recebem entre 5 e 10 mil reais para passar em Rondonópolis e trocar a carga. São vários barracões situados na cidade para essa finalidade. Depois seguem viagem e conseguem descarregar em portos, terminais e indústrias, onde funcionários são obrigados a entrar no esquema por ameaça ou suborno e os caminhões passam como produto padrão”, relatou um dos empresários que preferiu não se identificar por medo.

A rede criminosa conta inclusive com suporte de advogados para garantir que, caso algum motorista seja apanhado, consiga ser liberado mediante fiança ou por falta de provas. Ao menos é o que garantem aqueles que entram para o esquema. Conforme as vítimas, a organização também possui meios de burlar os lacres colocados pelas empresas.

“O pessoal consegue trocar os lacres ou mexer na carga sem tirar os lacres, desparafusando tampas das carretas e dificultando um possível flagrante”, relata uma das vítimas. Em alguns casos, até lixões são usados como pontos de adulteração, situação constatada por imagens em que o motorista é flagrado no lixão em Paranaguá descarregando farelo e carregando areia para completar o peso da carga.

Números

Dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública mostram que entre janeiro e agosto de 2020 foram registradas 66 ocorrências de roubo de carga, enquanto este ano foram 144. O que mostra o aumento de 118%. Já o furto da carga, saltou de 41 em 2020 para 178 casos registrados pela polícia, alta de 334%. Há ainda casos em que as cargas são saqueadas. Em 2020 foram 51, enquanto nos primeiros oito meses de 2021 este número subiu para 76, o que representa um crescimento de 49% neste tipo de crime.

Para tentar conter este tipo de crime a Sesp deve inaugurar ainda este ano o Batalhão Rural, especializado no combate aos crimes de cargas e também em propriedades rurais. Em julho deste ano, a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) deflagrou a Operação Safra que desmantelou quadrilha com pelo menos oito envolvidos e que teria movimentado milhões.

Carga legal é derramada e “reposta” até com areia.

Fonte: Portal LeiaAgora