Bolsonaro volta a Brasília para escolher novos ministros e moradia

Bolsonaro volta a Brasília para escolher novos ministros e moradia

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Enquanto a equipe de transição se movimenta em torno dos novos nomes para ministérios a serem anunciados, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), terá em Brasília a semana mais social desde a eleição. Pela primeira vez após o resultado das urnas, ele virá com a mulher, a brasiliense Michelle de Paula, para encontros e reuniões que incluem o casamento do ministro da transição, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), futuro chefe da Casa Civil da Presidência da República.

Interlocutores do futuro chefe de Estado afirmam que novas indicações para ministérios deverão sair nesta semana, só não se sabe ao certo quantas. O número total deve ser de, no máximo, 18 pastas — o atual governo tem 29. Até agora, 11 ministros foram definidos. Amanhã, o presidente eleito deve visitar a procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Esta será a primeira vez que ele se reunirá com Dodge para tratar de assuntos ligados ao Ministério Público Federal (MPF), desde que foi eleito. Bolsonaro já se encontrou com a procuradora em outras ocasiões, como na visita ao plenário da Câmara. No entanto, nunca chegou a discutir assuntos de interesse comum entre o órgão e a Presidência.

Nos discursos recentes, e durante a campanha, o presidente eleito chegou a fazer afirmações que se chocam com bandeiras defendidas por Dodge, incluindo temas relacionados às questões indígenas. Bolsonaro chegou a indicar que não deve reconduzi-la ao cargo quando o mandato se encerrar, em 2019.

A expectativa é de que o presidente use um tom bem mais moderado durante a reunião e coloque seu governo à disposição do MPF, principalmente nas ações que dizem respeito ao combate à corrupção. Junto aos integrantes da Polícia Federal, os procuradores da República têm fundamental importância nas diligências e ações relacionadas à operação Lava-Jato. Entre integrantes do futuro governo, há reconhecimento disso.

Além da visita à PGR, Bolsonaro manterá uma agenda de encontros na capital nesta semana. Ainda na terça, ele se reunirá com o ministro da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário; com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Raimundo Carreiro; e com Lorenzoni. Também está prevista uma audiência com representantes das santas casas, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde está sediado o gabinete de transição.

A futura primeira-dama deve viajar em um voo diferente do marido, na parte da tarde. É a primeira vez que ela vem ao Distrito Federal após a campanha eleitoral. Nascida em Ceilândia, onde moram seus pais, Michelle vai visitar as instalações da Granja do Torto, uma das residências oficiais da Presidência da República. É possível que também visite o Palácio da Alvorada.

Após tomar posse, Bolsonaro decide se mantém sua família na casa de campo da Presidência ou se vai se acomodar no Alvorada. A opinião de Michelle será fundamental nesta decisão. Também na terça, o presidente eleito e a primeira-dama devem ir ao casamento do ministro Lorenzoni em uma cerimônia reservada, em Brasília. No resto da semana, até o momento, estão previstos apenas despachos internos no CCBB. No local, ele avalia, junto com a equipe de transição, os novos nomes para os ministérios ainda sem definição.

Professor de Ciência Política da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Felippo Cerqueira acredita que as definições sobre os ministérios serão resolvidas tão logo o presidente eleito assimile a repercussão das decisões tomadas até agora. “Aas escolhas condizem com o discurso de campanha de Bolsonaro, que prometeu mudanças”.

A equipe ministerial de Bolsonaro possui raízes no centro-sul do país, onde o capitão reformado obteve a maior parte dos 57 milhões de votos que o elegeram no segundo turno. De São Paulo, vieram Paulo Guedes (Economia) e Roberto Campos Neto (Banco Central). Moro (Justiça), do Paraná, e Lorenzoni, do Rio Grande do Sul.

Os generais Augusto Heleno (futuro ministro do Gabinete de Segurança Institucional) e Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e o diplomata Ernesto Araújo, escolhido como chanceler, passaram a vida entre o Rio e Brasília. O astronauta Marcos Pontes, futuro ministro da Ciência e Tecnologia, vive na capital paulista. A lista conta ainda com a deputada Tereza Cristina (DEM-MS), na Agricultura.

“Os ministros mais fortes serão Guedes, Moro e o general Heleno. Ao concentrar a ação do governo nesses três nomes, a possibilidade de êxito fica mais evidente”, opina Antônio José Barbosa, professor de história política contemporânea da Universidade de Brasília (UnB). Para ele, “não haverá tanta ruptura, principalmente em termos econômicos, entre o atual e o próximo governo”.