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Ceratocone: doença danifica as córneas de pelo menos uma a cada vinte mil pessoas no Brasil

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Imagem ilustrativa

Muitas vezes, sem perceber, levamos as mãos aos olhos e em um movimento aparentemente inofensivo, os coçamos. Além da probabilidade de levar bactérias e causar infecções como conjuntivite, o ato de coçar os olhos pode resultar em uma doença que merece atenção: o ceratocone, doença que atinge uma a cada 20 mil pessoas no Brasil, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Ceratocone.

A doença não é causada por bactéria devido contato das mãos com os olhos e sim pela deformação da córnea, já que o portador de ceratocone tem a córnea mais frágil e a fricção a danifica, causando afinamento e aumento da curvatura (formato de cone). Cerca de 8% dos casos de ceratocone são hereditários, entretanto, a doença também pode se desenvolver devido a fricção contínua nos olhos com as mãos e até mesmo acidentes que atinjam a córnea.

De acordo com a médica oftalmologista do ISO-MS (Instituto da Saúde Ocular de MS), Daniela Gemperli, o primeiro sintoma da doença é a dificuldade visual progressiva, como visão embaçada, mesmo com os óculos, por exemplo.

“A pessoa com ceratocone enxerga de forma distorcida, semelhante ao portador de astigmatismo. Essa distorção faz com que ela enxergue com sombras, como se as imagens/letras tivessem um rabo de cometa. A doença em geral surge na infância e adolescência e tende a estabilizar por volta dos 30 anos de idade”, explica. A doença é bilateral e geralmente assimétrica (um olho mais acometido que o outro).

O tratamento do ceratocone envolve a reabilitação visual, com o uso de óculos ou lentes de contato rígidas especiais para essa finalidade, e o controle da alergia ocular concomitante na maioria dos casos, com colírios específicos. “É importante os pais estarem sempre alertas com as crianças alérgicas. Se elas coçam muito os olhos é importante a consulta com o oftalmologista, pois há um grande risco de desenvolvimento do ceratocone e quanto mais cedo o diagnóstico, melhor o resultado do tratamento”, alerta Dra. Daniela.

Ela destaca também que o tratamento é contínuo, ou seja, requer visitas frequentes ao consultório oftalmológico para exames específicos de córnea. Caso o tratamento seja interrompido ou o hábito de coçar os olhos não seja cessado, a doença pode continuar a evoluir, mesmo após os 30 anos. Existe tratamento a laser, o crosslink, que visa estabilizar a doença que estiver em franca progressão, evitando assim que ela atinja estados mais críticos de deterioração da visão.

Transplante

A doença avançada pode levar à necessidade de transplante de córnea, tanto que é considerada a principal causa desse tipo de transplante no Brasil. Contudo, a disfunção só atinge esse estágio se não for tratada a tempo.

“Até algum tempo atrás, não havia tratamentos tão efetivos para o ceratocone, mas hoje é possível prevenir de chegar a esse ponto. As cirurgias de implante de anel intraestromal regularizam a córnea e a aplicação do crosslink ‘segura’ a evolução da doença.

A necessidade do transplante ocorre apenas nos últimos estágios da doença, quando as outras técnicas cirúrgicas já não são possíveis ou quando há cicatrizes e opacidade na córnea”, explica a oftalmologista com experiência em implantes de anéis e transplante de córneas no ISO-MS, clínica habilitada e certificada pela Anvisa para tal procedimento.

Em caso de coceira, visão turva, sensibilidade à claridade, dor de cabeça ou nos olhos ou qualquer tipo de dificuldade relacionada à visão, é importante consultar um oftalmologista, já que a maioria das doenças tem cura e o tratamento assegura qualidade de vida.

Com UNA Comunicação