Delegado define reconstituição da morte de Marielle como é imprescindível

Delegado define reconstituição da morte de Marielle como é imprescindível

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Espaço aéreo fechado e área cercada com plástico preto (Imagem:Reprodução TVGlobo)

A reconstituição dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes começou por volta das 23h desta quinta-feira (10) e acabou às 4h15 desta sexta (11), no Estácio, Centro do Rio de Janeiro, depois de mais de cinco horas. Os disparos que simularam a morte da militante e de Anderson ocorreram às 2h50. Para a operação, houve cerco do perímetro e restrição do espaço aéreo. As vias, que haviam sido interditadas às 22h, foram liberadas às 4h45.

Pouco antes do começo da simulação, o delegado Giniton Lages, delegado titular da Delegacia de Homicídios (DH) da Capital, explicou a importância da operação. “Como todos sabem, nós não contamos com imagens da dinâmica, nós não temos imagens do momento em que o crime ocorre. Então, em investigações em que esse problema ocorre, a reprodução simulada se mostra uma ferramenta imprescindível”, disse Giniton. A reconstituição exigiu cuidado especial porque, durante a simulação, foram feitos disparos com balas de verdade.

Quatro testemunhas que estavam na rua no momento do crime, mas em pontos diferentes, participaram da ação desta quinta. Os investigadores queriam saber se elas reconhecem o som dos disparos – se foi uma rajada ou sequência de tiros – e, assim, ajudar a confirmar a arma usada no crime. A suspeita é que foi uma submetralhadora 9mm.

“É preciso ter a movimentação dos veículos, a percepção auditiva. E com essa percepção auditiva, levantarmos qual o armamento empregado. Se há perícia ou não do atirador para o manuseio dessa arma e como é o disparo realizado. Se esse disparo é em rajada, se é intermitente”, explicou Giniton.

A ação provocou a interdição de quatro ruas da região, o bloqueio do espaço aéreo e mobilizou 200 homens do Exército e da Polícia Militar para garantir a segurança enquanto policiais e peritos da Delegacia de Homicídios da Polícia Civil comandavam a reconstituição. Militares do Exército chegaram ainda pela manhã e começaram a colocar plásticos pretos em muros, grades e postes, para impedir a visão de pessoas não autorizadas – incluindo jornalistas. As tropas levaram também sacos de areia para servir de contenção para os tiros.