Depois de sobreviver a uma guerra mundial, veterano reclama da solidão do...

Depois de sobreviver a uma guerra mundial, veterano reclama da solidão do isolamento

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Antônio Coca

Nem mesmo os dias difíceis nos campos de batalhas da Itália e os inimigos que precisavam ser vencidos a cada instante para libertar o mundo da implantação de regimes totalitaristas, liderados pela ascensão nazista de Hitler na Alemanha e pela sanha fascista de Mussolini na Itália, abateram tanto o velho combatente como os dias de isolamento porque está tendo que passar durante a pandemia do Covid 19.

A falta de um abraço, uma conversa com os amigos e o carinho dos familiares pegou fundo na alma e no coração de Justino Pires de Arruda que em novembro completará 101 anos de vida. O distanciamento social exigido pelo protocolo sanitário foi maior do que os gelados dias e noites em Monte Castelo, Turim e Montese onde os nossos pracinhas fizeram a “cobra fumar” e saíram vitoriosos apesar dos inúmeros e valorosos compatriotas que perderam a vida em busca da liberdade.

Sem costume de se queixar da vida, o velho soldado reclamou da solidão e do silêncio da casa que sempre vive cheia e com gente por perto, onde ele pode relembrar o passado e contar histórias da Força Expedicionária Brasileira. Isso ajuda a passar o tempo enquanto aguarda o descanso eterno reservado somente a aqueles que têm por direito, honra e glória do dever cumprido.

O silêncio e a solidão foram quebrados neste final de semana pelos roncos dos motores das motocicletas dos membros do Moto Clube Germanus de Campo Grande foram até casa do pracinha “entediado”, e com todos os protocolos de higiene e segurança sanitária prestaram a ele homenagem que ajudou a romper a rotina da quarentena.

Criado para homenagear pracinhas brasileiros, cerca de 20 membros do MC da Capital passaram algum tempo com o “Irmão Justino” que ficou muito emocionado com a lembrança e a quebra da monotonia que tanto atormentava o velho combatente.

De acordo com o presidente regional do Moto Clube, Ivan Souza de Andrade, a presença deles trouxe alegria e satisfação não só ao seu Justino, mas a todos que estavam no local e com isso eles cumpriram o objetivo do grupo, que é justamente homenagear os veteranos da FEB. “Todos os Germanos pertencem a uma força de segurança, somos policiais militares, bombeiros militares, policiais rodoviários federais, policiais civis, militares do Exército, da Guarda Municipal ou membros do Ministério Público e sabemos os desafios de enfrentar as adversidades do combate diário para manter a sociedade livre de ameaças e como aconteceu com centenas dos nossos pracinhas, muitas vezes isso acaba custando nossas vidas e vidas de companheiros. Mas gestos simples como esta visita que fizemos hoje acabam fazendo a diferença na vida das pessoas”, disse Ivan.

Emocionado o pracinha se despediu dos membros do Moto Clube Germanus e voltou para sua quarentena. Pois como soldado, ele sabe que cumprir ordens e a uma parte importante da missão e a ordem agora é ficar em casa. Afinal, missão dada é missão cumprida.