Deputados se posicionam contra a “indústria da multa” em MS

Deputados se posicionam contra a “indústria da multa” em MS

COMPARTILHAR
Deputado João Henrique define questão como abuso e indústria de multas (Foto: Vitor Chileno)

A quantidade de multas emitidas por radares móveis, fixos e lombadas eletrônicas em Mato Grosso do Sul foi alvo de debates entre os deputados estaduais, durante a sessão desta quinta-feira (7), na Assembleia Legislativa. O assunto começou com o deputado João Henrique (PR), que prometeu lutar contra a “indústria da multa”.

Na tribuna, ele disse que levantou dados do Ministério Público Estadual, que abriu inquérito para apurar fraudes nas multas de trânsito. “Um estudo mostrou que em um ano e 10 meses em que os radares de Campo Grande ficaram desligados, o número de mortes diminuiu 22%. Ou seja, o radar é para instruir e educar, mas sem o radar diminuíram ?. É preciso rever, pois o cidadão de bem não pode ficar arcando com multas sem necessidade”, questionou.

O deputado Gerson Claro (PP), que já atuou como diretor-presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran/MS), declarou que as mortes por acidentes de trânsito viraram epidemia. “É certo que o maior ‘problema’ é o ser humano. A imprudência. É fato que para se colocar um radar é preciso de um estudo sobre os acidentes do local, mas é claro que, se os radares móveis são colocados só para arrecadar, serão rechaçados”, confirmou.

Radares móveis questionados

Para Cabo Almi (PT), se os números apontam que diminuíram as mortes, temos que nos posicionar contra isso. “Eu já venho fazendo esses questionamentos desde quando fui vereador. Temos que dar voz ao cidadão, porque a intenção deve ser preservar a vida e não arrecadar”, disse. Professor Rinaldo (PSDB) também questionou a posição dos radares. “Tem um na Avenida Mato Grosso embaixo de uma árvore. Quase parece uma arapuca”, criticou.

Zé Teixeira (DEM) concordou. “Não adianta só multar. Tem que ensinar nas escolas a educação no trânsito. Só assim vai mudar. A criança precisa saber desde cedo que pode ceifar a vida de um inocente por uma irresponsabilidade”, ponderou. Barbosinha (DEM) declarou que também é preciso determinar uma só velocidade. “Tem hora que é a 30 quilômetros por hora, aí muda para 60, aí volta para 40. Assim não dá”.

Estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que as lesões causadas pelo trânsito são a principal causa de morte entre pessoas com idade entre 5 e 29 anos. Em 2018, os óbitos somaram 1,3 milhão em 175 países estudados. Os principais fatores de risco são: excesso de velocidade, dirigir embriagado e não usar equipamentos de segurança: cinto, capacete e cadeirinha de crianças.

Com assessoria/AL