Flexibilização pode fazer de Campo Grande uma Manaus em mortos pelo covid-19

Flexibilização pode fazer de Campo Grande uma Manaus em mortos pelo covid-19

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Prefeito pode ter escancarado a cidade para a doença (Foto: Reprodução G1)

Em pleno período que acontece o agravamento da pandemia em Campo Grande, que é apontada pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), como um dos epicentros da doença em Mato Grosso do Sul, o prefeito Marquinhos Trad anunciou hoje (30) a flexibilização das regras de funcionamento do comércio e setor de serviços.

Para o infectologista Júlio César Croda, em entrevista na TV Morena na noite de hoje, a flexibilização é extremamente perigosa e só fará aumentar o número de infectados e mortos. Indiferente ao risco e sem ouvir a ciência, mas apenas a força comercial da cidade, ao invés de fechar, Marquinhos Trad ampliou os horários e dias de abertura. Ele também flexibilizou reduzindo o período do toque de recolher, afirmando que irá fazer blitz de trânsito em toda a cidade para fiscalizar a lei seca, reduzir acidentes e assim, a ocupação de leitos por vítimas de traumas.

Para trabalhadores na saúde, a ocupação maior está sendo por vítimas do covid e outras doenças que por conta da pandemia não estão sendo tratadas ou acompanhadas no serviço público de saúde. Cardíacos que foram submetidos a angioplastia por exemplo, não passam por exames ou consultas de acompanhamento há exatos cinco meses, o mesmo ocorrendo com vítimas de outras doenças.

Dados da Secretaria Estadual de Saúde mostram o agravamento da situação em que apenas nos últimos 10 dias casos na cidade saltaram de 6.216, para quase 10 mil, 9.644, podendo chegar a 10 mil em poucas horas.

Ao anunciar a flexibilização ladeado pelo presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) da capital, Adelaido Vila, e o primeiro secretário da Associação Comercial e Industrial da cidade (Acicg), Roberto Oshiro, Marquinhos Trad afirmou que as medidas, visam preservar vidas, da pandemia do novo coronavírus e ao mesmo tempo assegurar a sobrevivência econômica de Campo Grande.

Na avaliação demonstrada pelo prefeito, as medidas mais restritivas adotadas nos últimos dois fins de semana, o que definiu como mini lockdow, não resultaram no efeito desejado, que era frear o avanço da Covid-19. Ele destacou que algumas atividades econômicas foram prejudicadas, e que esses segmentos deram sua contribuição, mas a população não correspondeu.

No trânsito

Em mais um “teste”, o prefeito definiu que partirá para blitzes “pesadas” no trânsito o que segundo ele, “a medida apontada pelos técnicos e pelas entidades ligadas ao comércio e serviços, deve diminuir a circulação de pessoas e veículos, impactando na redução do número de acidentes e consequentemente de pessoas que precisam de leitos de UTI, por conta de traumas ocasionados em acidentes de trânsito”.

Para internautas e outras pessoas ouvidas no início da noite, as blitzes no trânsito podem até não evitar contaminação ou mortes por covid-19, mas será um grande reforço no caixa da prefeitura através de multas, apreensões e guinchamentos. O prefeito anunciou que as ações no trânsito já estarão acontecendo a partir da noite de hoje.

O que muda na flexibilização

Toque de Recolher entre 21 e 5h – antes era das 20h às 5h. Funcionamento do varejo, de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h; Sábado e domingo das 9h às 16h – antes era das 9h às 17h e nos últimos dois fins de semana os estabelecimentos ficaram fechados.

Shoppings liberados para funcionamento todos os dias das 11h e fechamento às 20h. Academias, de segunda a sexta-feira, das 5h às 21h; Sábado das 5h às 16 fechando no domingo.

Salões de beleza seguem abertos normalmente de segunda a sexta-feira, das 5h às 21h; Sábado das 9h às 18h e domingo fechados. Restaurantes estarão abertos de segunda a segunda, das 5h às 21h. Supermercados, de segunda a segunda, das 5h às 21h. Serviços essenciais como farmácias, hospitais, unidades de pronto atendimento, deliverys, farmácias, etc, 24 horas, de segunda a segunda.

Campo Grande sob risco de repetir Manaus.