Guardas que atuaram em protesto no Morenão são afastados e ficam sem...

Guardas que atuaram em protesto no Morenão são afastados e ficam sem armas

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Secretário Valério Azambuja anunciou as providências. Foto: Whatsapp.

A prefeitura de Campo Grande através da Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social publicou no Diário Oficial do município o afastamento de três guardas municipais e também suspensão do porte de arma dos que atuaram no protesto pacífico realizado por mulheres no Terminal Morenão na sexta-feira de feriado (15), em Campo Grande.

O secretário especial de Segurança e Defesa Social, Valério Azambuja, assinou as medidas além de designar três servidores para comporem a Comissão de Processo Administrativo Disciplinar. Em coletiva esta manhã, Valério destacou que o afastamento preventivo é necessário diante da gravidade dos fatos, até a conclusão do Processo Administrativo Disciplinar, com prazo de 60 dias.

A repressão

A equipe do GPI – Grupo de Pronta Intervenção – da Guarda Municipal usou spray de gás pimenta e armamento no Terminal Morenão, para acabar com a manifestação de mulheres e alguns homens. As pessoas reclamavam que, devido ao feriado, o Consórcio Guaicurus reduziu o número de ônibus, principalmente das linhas 070 e 072, atrasando a chegada das pessoas ao trabalho.

As manifestantes fecharam a passagem dos ônibus, quando armados os guardas municipais lançaram gás pimenta nas pessoas, muitas delas praticamente na face, além de apontar carabina calibre 12 no rosto de mulheres e usar a viatura da GCM para “abrir caminho” tentando mediante ameaça de atropelamento dispersar as manifestantes.

Caso pode virar Maria da Penha

Na manhã desta segunda-feira (18), a delegada Fernanda Félix, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, disse que boletim de ocorrência coletivo será registrado sobre o caso das mulheres agredidas durante o protesto na sexta-feira (15).

“Hoje já temos essa conversa com a Defensoria Pública e providências serão tomadas”, assegurou a delegada. Já a juíza da 3ª Vara de Violência Doméstica, Jaqueline Machado, lembrou que as mulheres têm direito de recorrer e que ações precisam ser tomadas. A magistrada, a delegada e outras autoridades participaram do evento sobre “Os 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres”, na Casa de Mulher Brasileira.