Incêndio de grandes proporções destruiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, Rio de Janeiro na noite deste domingo. O fogo começou por volta de 19h, depois que vigilantes teriam visto um clarão no 1º andar. Parte do interior do edifício desabou e só por volta de 2h desta segunda-feira as chamas foram controladas.
A assessoria do Museu Nacional informou que ainda não está definido o que deu início ao incêndio, sendo necessário esperar o trabalho dos bombeiros para obter mais informações. Embora domingo seja um dia de visitações frequentes, o museu fechou às 17h e, após este horário, não havia mais ninguém no local além dos funcionários de segurança.
No momento em que as chamas começaram a se alastrar, quatro vigilantes estavam no prédio. O Corpo de Bombeiros enfrentou problemas com falta de água, mas fez revezamento de caminhões pipa para dar conta do combate às chamas.
Os três andares do museu — fundado em 1818 por D. João VI e desde 1946 vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro — abrigavam um acervo de 20 milhões de itens, incluindo documentos da época do Império; fósseis; coleções de minerais; artefatos greco-romanos; e a maior coleção egípcia da América Latina.
Dentre seus itens mais conhecidos, estavam o esqueleto de um dinossauro encontrado em Minas Gerais e o mais antigo fóssil humano descoberto no atual território brasileiro, batizado “Luzia”. Trata-se da instituição científica e do museu mais antigos do Brasil, tendo neste ano completado seu bicentenário. A visitação média mensal é de 5 a 10 mil pessoas.
O Comandante do Corpo de Bombeiros, Roberto Robadey afirmou que cerca de 80 homens, de doze quarteis, combatem as chamas. Ele admite que a falta de pressão nos hidrantes fez diferença na tentativa de apagar o fogo. A Cedae precisou enviar caminhões-pipa para ajudar o trabalho.
Chegaram com viaturas suficientes para o primeiro combate, mas, infelizmente, perdemos de 30 a 40 minutos de trabalho por causa disso. Ele também falou sobre o risco de desabamento e a possibilidade de a fumaça afetar animais do Zoológico do Rio.
Antes uma vitrine do Império, o museu vinha sofrendo com goteiras, infiltrações e problemas gerais na infraestrutura, segundo apontou relatório de 2016 da Biblioteca do Museu Nacional.
Presidente
Em nota, o presidente Michel Temer se manifestou sobre o incêndio:
“Incalculável para o Brasil a perda do acervo do Museu Nacional. Hoje é um dia trágico para a museologia de nosso país. Foram perdidos duzentos anos de trabalho, pesquisa e conhecimento. O valor para nossa história não se pode mensurar, pelos danos ao prédio que abrigou a família real durante o Império. É um dia triste para todos brasileiros”.

Parte da história do Brasil reduzida a escombros
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