Mais uma pistola Taurus dispara ferindo quem a portava

Mais uma pistola Taurus dispara ferindo quem a portava

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Modelo da arma disparada na cintura de policial.

Sargento de 50 anos, lotado no 4º Batalhão de Polícia Militar de Várzea Grande, Mato Grosso, foi ferido por um disparo acidental de sua pistola Taurus modelo 740, enquanto pilotava sua motocicleta. Este é, pelo menos ao que se sabe, o segundo caso envolvendo disparos acidentais em Cuiabá.

Com o acidente, o policial perdeu o testículo direito. Conforme relata, de férias ele saiu de casa para comprar um lanche por volta das 20h. No retorno, a aproximadamente 200 metros de distância de casa, ele ouviu uma explosão e sentiu o sangue jorrando por sua perna. “Ouvi um estalo e percebi que minha pistola disparou. Eu sempre ando com ela, tem uns cinco anos e nunca aconteceu nada. Sempre estava travada certinho. Eu liguei para minha família, meu filho veio e me levou para o Pronto-Socorro”, explicou.

Na unidade hospitalar, o sargento precisou passar por cirurgia de emergência e recebeu alta no último domingo e segue de repouso em sua residência. “Quando eu saí de férias eu passei no batalhão para fazer a manutenção. Estava tudo certinho, a trava de segurança estava acionada, mas eu não entendi o que aconteceu”, relatou.

Existem outros registros pessoas vítimas de disparos acidentais. Um grupo denominado ‘Vítimas de Taurus’ reúne cerca de 70 vítimas em todo o país. Em Cuiabá, em 2016, soldado morreu aos 29 anos durante troca de tiros quando sua arma travou. Em outro caso, outro soldado foi vítima da arma, um disparo acidental entrou em sua virilha e saiu pela nádega.

Questionada, a Polícia Militar de MT afirmou que o ato requer adoção de medidas pelo próprio policial, já que ele não estava em serviço e portava sua arma particular. Ainda, relatou que uma comissão para padronização bélica foi criada em fevereiro de 2017, contudo, por dificuldades financeiras geradas pelo contingenciamento de recursos as armas não foram trocadas.

Íntegra da nota da PMMT

“Em outro caso, o soldado Weverton Silva, de 28 anos, estava na casa de um amigo conversando quando levantou para ir ao banheiro. A arma disparou, a bala entrou pela virilha e saiu na nádega dele.  A Polícia Militar informa que o acidente com arma de fogo em que um sargento lotado no 4º Batalhão da Polícia Militar de Várzea Grande acabou ferido, no dia 18 deste mês, é uma questão privativa, ou seja, que requer adoção de medidas pelo próprio policial.

O sargento, conforme levantamento feito pela Corregedoria da PMMT, está em período de licença prêmio, portanto não estava em serviço, e também portava uma arma particular. Sendo assim, essa não é uma ocorrência que se enquadra na atuação da Corregedoria.
Caso ele estivesse em serviço e com arma do Estado, seria instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) para apuração dos fatos. A arma é enviada para a Politec, cujo laudo leva de 10 a 20 dias para ser devolvido para a PM.

Já houve outros registros de disparos acidentais, e após a perícia concluindo se houve falha da arma ou humana, a fabricante é notificada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). Em fevereiro de 2017 foi criada uma comissão para a padronização bélica para as forças de segurança pública de Mato Grosso. Em junho daquele ano o relatório foi apresentado sugerindo a troca de armas curtas .40 por 9 mm por uma série de quesitos técnicos. O relatório, inclusive, consta desde 2017 na página da Sesp

No dia 15 de agosto de 2017 foi realizada audiência pública para debater o relatório e contou com a participação de representantes das empresas Taurus, Sig Sauer e Glock. O próximo passo foi a definição de regras feitas pelo Estado de Mato Grosso, contudo, houve dificuldades orçamentárias e financeiras para o investimento da troca do armamento, inclusive em razão do contingenciamento de recursos para os exercícios de 2018 e 2019. Os recursos públicos para a Sesp contemplam custeio e a folha de pagamento, o que reduz os investimentos.”

Taurus é acionada pelo MPF

O Ministério Público Federal abriu ação contra a Taurus, a marca mais usada pela polícia em todo o Brasil. Segundo os promotores, disparos acidentais e defeitos de fabricação colocam em xeque a segurança de quem carrega essas armas e provocam acidentes fatais.

Relatos e reportagens relatam acidentes graves vitimando, inclusive com mortes, policiais e até civis usuários de pistolas da fabricante Taurus. Em alguns estados forças policiais estão substituindo não só as pistolas, mas as demais armas da fabricante.