O senador Sergio Moro (União-PR) comentou a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira (21). Lula disse que durante sua prisão em Curitiba, tinha uma ideia fixa e que, ao receber visitas de procuradores e delegados na cadeia, respondia que só ficaria tudo bem quando conseguisse “f* com o Moro”. Moro caracterizou as falas como uma “vingança” por parte do petista não só contra ele, mas contra o povo brasileiro.
“Se fosse vingança contra mim apenas, seria algo aceitável. Mas do jeito que as coisas caminham e esse ataque à Lei das Estatais, esse rombo fiscal que tem impedido a queda de juros, gerando uma perspectiva de baixo crescimento ou até de recessão, a minha interpretação começa a ser de uma vingança contra o povo brasileiro. E isso, essa Casa não pode tolerar”, afirmou Moro em discurso no Senado, ao pedir a palavra em meio ao debate sobre mudanças na Lei das Estatais.
Já em entrevista à CNN Brasil, o ex-juiz repudiou a fala e reforçou que o petista “está se vingando da população brasileira”. Ele alegou também que o governo não tem apresentado resultados e ironizou citando “picanha e cerveja”.
“Eu repudio essa fala do presidente Lula. Fala de baixo calão, utilizando termos grosseiros, de uma forma que eu nunca me reportei a ele. E a gente vê algum desequilíbrio”, disse. Ainda de acordo com o senador, Lula “feriu a liturgia do cargo utilizando palavras de baixo calão”. Acrescentou ainda que as declarações são uma tentativa de diversionismo em relação a “falhas e fracassos do governo”.
“A minha interpretação é que o presidente está se vingando da população brasileira, porque o governo não tem apresentado os resultados. Disse que ia ter picanha, que ia ter cerveja para todo mundo e nós vemos, na verdade, um crescimento econômico pífio, previsto 0,8% esse ano, em decorrência do quê? O governo começa com grande descontrole fiscal, de R$ 200 bi, um grande rombo, que faz com que os juros que eram para ser baixados tenham que ser colocados lá em cima para controlar a inflação e a deterioração das expectativas do mercado”, disse Moro na entrevista.
“Então, quando o presidente fala que queria se vingar, eu só posso interpretar que ele está querendo se vingar da população brasileira. O presidente já chamou agricultores de fascistas, disse que não confiava em militares. Ontem, fez fala absurda sobre livros de economia que teriam sido superados”, atacou.
O ex-juiz, responsável pelas condenações do presidente no âmbito da Lava-Jato, disse também que as falas apresentam risco a ele e a sua família. Respondi às ofensas pessoais do presidente Lula. Nesse mandato, ele já ofendeu agricultores, policiais, militares, Ministério Público, presidente do Banco Central e até os livros.
Moro também defendeu sua atuação na Lava-Jato. “Lula foi condenado por nove magistrados, não foi somente eu. No tribunal em Porto Alegre, três juízes proferiram e mantiveram a sentença. E depois essa decisão foi mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, por outros cinco magistrados”, apontou.
“Houve, sim, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que anulou o processo por questões formais, mas vamos deixar claro: o STF nunca disse que Lula era inocente ou que ele teria sido absolvido das responsabilidades. O que houve foi a identificação de uma falha processual da qual eu discordo, acho que não houve falha nenhuma, mas respeitamos a decisão do STF, e que acabou permitindo que ele voltasse à cena política”, concluiu Moro, reforçando que houve corrupção nos governos do PT: “Mensalão, petrolão são inegáveis”.
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