A execução de dois moradores em situação de rua e baleamento de outros em tentativa de chacina em Rondonópolis, Mato Grosso, foi praticada por dois policiais militares sob efeito de álcool e outras substâncias. Eles usavam o veículo da esposa de um deles, duas pistolas Glock 9 milímetros da Polícia Militar e um revólver. A autoria foi denunciada aos veículos de comunicação e setores da segurança pública e judiciário nesta quinta-feira (28), um dia depois do ataque que deixou outros dois homens feridos, um deles em estado grave.
Um dos envolvidos, durante a execução dos crimes, acabou atingido com um disparo a perna, que precisou de atendimento médico. Oficiais da corporação em Rondonópolis são acusados de acobertar a ação da dupla, autorizando a fraude com a confecção de um boletim de ocorrência falso para justificar o ferimento.
A denúncia aponta inclusive as placas do veículo, OBK0D31, que pertenceria à esposa do policial militar Cássio Brito, lotado no 5º BPM de Rondonópolis. Estava com ele no veículo, o policial conhecido como “Elder Caveira”, do Batalhão de Operações Especiais de Cuiabá, que foi ferido na perna no momento em que ambos estavam alucinados e extasiados, atirando contra as vítimas.
A dupla seguiu até a Santa Casa para procurar atendimento médico, sendo a Polícia Militar imediatamente acionada explicando a situação de paciente ferido.
Uma equipe da PM chegou e se deparou com Cássio o hospital na Land Rover e o abordou em seguida. Foi quando ele informou que só estava prestando apoio para Elder, que havia se ferido em uma caçada na cidade de Itiquira e pediu que ele o socorresse.
No mesmo documento em que são narrados os detalhes do ataque na madrugada de quarta-feira, são citados outros crimes envolvendo o policial Cássio, apontado como comandante de um esquema de apostas esportivas e jogo do bicho na cidade. Inclusive cita que o braço direito dele neste empreendimento foi acionado e se deslocou do Residencial Farias para esconder as armas e o veículo usado na tentativa de chacina.
Comando da PM
Nesta quinta-feira (28), o comandante-geral da PMMT, coronel Alexandre Mendes, revelou que os acusados foram identificados, e a Corregedoria realizará os procedimentos cabíveis para oferecer uma resposta à sociedade mato-grossense. Em comunicado enviado à imprensa, o comandante expressou cuidado pela tropa, destacando que a Polícia Militar de Mato Grosso tomará todas as providências para responsabilizar disciplinarmente os envolvidos.
Na nota, o comandante também destacou o trabalho honrado da esmagadora maioria dos policiais militares. No entanto, reconheceu a existência nefasta de uma minoria que mancha a farda que enverga, reiterando o compromisso de não poupar esforços para garantir a integridade da corporação e a segurança da comunidade.
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