População reprova “valeta da vergonha” cavada pelo Exército paraguaio

População reprova “valeta da vergonha” cavada pelo Exército paraguaio

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"Valetas da Vergonha" imunes a carretas com cigarros e maconha.

Antônio Coca

Brasileiros e paraguaios moradores em Ponta Porã e Pedro Juan Caballero estão revoltados com uma valeta que foi cavada pelo Exército paraguaio na Linha Internacional principalmente em frente ao Departamento de Migração. A fronteira seca entre as duas cidade já tinha sido fechada e a circulação de brasileiros foi restringida ao máximo pelas autoridades paraguaias apesar de que Ponta Porã apenas um caso de covid 19 foi registrado, ao passo que em Pedro Juan Caballero o número confirmado de infectados pelo vírus é oito vezes maior.

O governador do Departamento de Amambay cuja capital é Pedro Juan Caballero, Ronald Acevedo disse que a fronteira precisa ficar aberta para que paraguaios e brasileiros que precisam trabalhar possam circular e não sejam barrados e que também não precisem pagar propina para entrar no território paraguaio. Ele chegou a denunciar que os militares que cuidam da Linha Internacional estariam cobrando 50 mil guaranis para que as pessoas passem pelos bloqueios.

“Há pessoas com dupla nacionalidade que precisam trabalhar, empregadas domesticas que trabalham no Brasil e que estão impedidas de ganhar o sustento de suas famílias. Vamos derrubar estes alambrados nesta quarta-feira nas primeiras horas, disse Acevedo em entrevista a uma emissora de rádio do Paraguai.

O vereador de Ponta Porã Marcelino Nunes disse ontem que vai acionar a Câmara e o Parlamento Internacional, um órgão criado com membros dos dois países para discutir os assuntos transfronteiriços, já que a medida e unilateral e as prefeituras da duas cidades gêmeas não teriam siso consultadas.

Valetas e cercas de proteção já tinham sido feitas em outras cidades que fazem fronteira seca com o Mato Grosso do Sul no começo da pandemia, mas não estava impedindo a passagens de pessoas e principalmente o tráfico de drogas e o contrabando.

Ontem o porta voz da Força Tarefa Conjunta do Paraguai o tenente-coronel Luis Apesteguía, disse que as barreiras de segurança e a valeta foram necessárias justamente para tentar conter a população que insistia em quebrar as regras e continuavam circulando livremente principalmente a noite e que as medidas sanitárias seriam mantidas.

Na noite de ontem e na madrugada de hoje o acerca de arame foi cortada em vários trechos e os pneus que servem de barreira foram retirados do local por moradores da fronteira. Do lado brasileiro da fronteira não há nenhuma medida de restrição de circulação a não ser o toque de recolher adotado pela prefeitura de Ponta Porã que vai das dez da noite até as cinco horas da manhã.

População começa a arrancar “barreiras” do Exército paraguaio.