Prefeitura de Campo Grande e governo do Estado não se entendem na...

Prefeitura de Campo Grande e governo do Estado não se entendem na questão covid

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Nem tudo são flores entre reeleito e candidato a reeleição. (Foto:Reprodução/Diário Digital/Internet)

Publicação do portal O Jacaré desse fim de semana aborda com clareza a divergência entre as administrações do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), reeleito e o prefeito de Campo Grande Marcos Marcello Trad (Marquinhos), pré-candidato a reeleição. De acordo com a publicação, a divergência cresceu justamente na pior semana da pandemia em Mato Grosso do Sul, com o recorde de 5.111 novos casos e 83 mortes. De acordo com o portal, a ocupação de 96% dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na Capital e hospitais privados recusando pacientes, a situação de extrema gravidade exige união de esforços para frear a pandemia.

Na prática o que se nota é uma corrida sem direção por parte do prefeito que por último passou a atribuir a outros municípios a gravidade da situação em Campo Grande. O Jacaré constata que neste domingo, conforme boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde, Mato Grosso do Sul passou a contabilizar 21.514 diagnósticos positivos, contra 16.403 no domingo passado (19). O ritmo é de 730 casos novos por dia – 30 novas vítimas por hora. Já são 305 mortes causadas pela covid-19, contra 222 há sete dias.

O número de pacientes internados teve aumento de 30% em uma semana, de 355 para 463. A ocupação de leitos de UTI bateu novo recorde, com 216 infectados em estado gravíssimo. Só em Campo Grande foram 33 óbitos em uma semana, com o número total de mortes subindo de 62 para 95. Há 26 dias, a cidade tinha apenas oito mortes causadas pela covid-19.

Mesmo com toque de recolher mais amplo, das 20h às 5h, e com mini lockdown nos finais de semana desde meados deste mês, a Capital teve 2.373 novos casos positivos em uma semana, saltando de 6.054, no domingo passado, para 8.427 hoje. A ocupação de leitos de UTI na Capital passou de 84% para 96%, mesmo com a ampliação de leitos de 227 para 269.

A incidência da doença na Capital superou a barreira dos mil para cada grupo de 100 mil habitantes, índice considerado epidêmico. A Publicação de O Jacaré destaca que em meio ao agravamento previsto da situação, o Governo Azambuja decidiu confrontar Marquinhos Trad.

A indecisão do prefeito fez com que após Marquinhos descartar lockdown, o Governo publicasse relatório recomendando o fechamento de tudo na Capital. Também houve recomendação de suspender as atividades de academias e salões de beleza, que continuam abertos por determinação da prefeitura. A publicação lembra entendimento das pessoas e manifestação do Secretário Estadual de Saúde, constantemente dando a entender que indiferente a gravidade do problema e de vidas sendo perdidas, o prefeito Marquinhos Trad passou a priorizar a reeleição.

Culpa nos outros

O Jacaré lembra a manifestação do prefeito Marquinhos Trad nos últimos dias, rebatendo que não pode fechar tudo se os demais, 34 municípios vizinhos continuarem enviando pacientes para os hospitais de Campo Grande.

O secretário estadual por sua vez, destaca a publicação, reagiu à provocação do prefeito afirmando que que 91% dos leitos ocupados na Capital são dos pacientes de Campo Grande. Teimoso, Marquinhos reagiu no sábado, que 27% dos pacientes internados na Capital são provenientes do interior.

Já neste domingo, o Jacaré mostra relato documentado de Geraldo Resende sobre o quadro de internações em Campo Grande. “Vamos apresentar um novo quadro”, anunciou. Conforme o secretário, 91% dos leitos são ocupados por campo-grandenses. Na rede pública, há 67 vagas ocupadas nos hospitais, dos quais 91% são provenientes de Campo Grande. Na UTI, 85% dos 85 internados são moradores da Capital.