Após a chegada de uma das tias que mora em Brasília, aconteceu na manhã desta quarta-feira (15) o sepultamento do adolescente Júlio César Arthur da Costa Escobar, de 14 anos, atleta de base do Clube Ubiratan. Júlio morreu de dengue hemorrágica na última segunda-feira, depois passar duas vezes pela UPA (Unidade de Pronto atendimento) até ser internado no Hospital da Vida. O adolescente iria se apresentar no Fluminense no próximo mês, onde faria um teste.
O corpo do atleta foi velado na sede do Clube Ubiratan e gerou comoção de familiares e amigos que treinavam com ele. Júlio foi sepultado no Cemitério Santo Antônio de Pádua ainda na manhã desta quarta-feira (15). Abalado pela morte do adolescente, o presidente do Clube Ubiratan Joaquim Soares afirmou que irá cobrar esclarecimentos das autoridades. “Precisamos saber o que realmente aconteceu em relação ao atendimento do nosso atleta na Upa. Isso precisa ser devidamente explicado para evitar que tipo de coisa aconteça novamente”, afirmou o dirigente.
Segundo a tia da vítima, Priscila Anita da Costa Silva de Almeida, que falou em nome da família, a UPA precisa explicar porque inicialmente a médica não pediu exame para diagnosticar a dengue.
Garganta inflamada
Ao falar com a imprensa, Priscila disse que Júlio começou a passar mal na quarta-feira (8) e foi levado no início da noite para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), onde ficou até a madrugada e depois foi liberado. “A médica que atendeu o Júlio disse que ele estava com a garganta inflamada. Aí a minha irmã questionou com a médica se não poderia ser dengue e ela disse que não, que era isso mesmo, garganta inflamada. Mas meu sobrinho já estava com dores no corpo também”, conta a tia do adolescente.
“Na UPA ele tomou uma benzetacil e a uma hora da manhã a gente trouxe ele para casa. Ainda na quinta-feira ele não quis comer e aí na sexta-feira (10) a minha irmã levou ele de volta para UPA por volta de 9h30 da manhã. Levaram ele para dentro e em seguida fizeram exame de Covid e também de dengue, onde testou positivo”, explicou.
“Dor muito intensa”
Ainda segundo Priscila, o adolescente deu entrada na UTI do Hospital da Vida. “No sábado ligaram para minha irmã e disseram que ele seria intubado. Os médicos lá cuidaram muito bem dele, mas nesta madrugada ele não resistiu”, relatou a tia, ainda questionando o fato da médica não ter feito o exame na primeira consulta na Upa.
“Não tenho palavras para descrever os nossos sentimentos. É uma dor muito intensa que atinge toda nossa família. Meu marido Sidnei Silva Almeida, que era como se fosse um pai para ele, não consegue nem ficar em pé. Ele está completamente arrasado. A gente pensa que ele não foi bem atendido lá no UPA né. Para mim houve negligência sim e isso não pode ficar sem resposta”, questiona Priscila.
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