Transporte coletivo em Campo Grande, pode sim ser resolvido

Transporte coletivo em Campo Grande, pode sim ser resolvido

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O "conforto" que vereadores não conhecem.

As histórias e estorietas sobre o transporte coletivo em Campo Grande levam o contribuinte a pensar que estamos diante de um caso perdido. Caso que aparentemente nem interrogatório por mais severo que possa ser, será capaz de extrair a verdade das partes – executivo – legislativo – empresários do setor.

Temos assistido nos últimos tempos, com acirramento nas últimas semanas, um festival de cada um de cada lado falando uma coisa. Coisa que começou com o prefeito batendo pé de que o consórcio teria que em prazo estipulado e bem curto, botar frota nova nas ruas. Não demorou e o consórcio respondeu na lata, não vamos atender não, não há tempo nem dinheiro para isso. O prefeito guardou o pé e não falou mais nada.

De lá para cá, um festival de cada um fala uma coisa, empresa ameaçou ir à justiça pra mostrar que tem razão. O município através de seu setor de transporte coletivo vem endossando as lamentações do empresariado. Aparecem denúncias de que fiscalização e exigências por parte da prefeitura, são meros blefes de jogo para a plateia.

Agora já surge sinais municipais de mais benefícios ao empresariado do transporte coletivo. Vereadores se lançaram nesses dias, a uma circense demonstração de gozação com a população ao dizerem que conferiam se as reclamações do povo são procedentes. Só que “fiscalizaram” roteiros sem movimento e que por coincidências que sempre norteiam a coisa pública, os ônibus fiscalizados eram novos.

No decorrer de falas e respostas, o consórcio do transporte coletivo alega que o serviço é deficitário por conta de muita gratuidade, diminuição de usuários que passaram a optar pelos aplicativos, as ruas são péssimas, semáforos atrapalham, trânsito é congestionado, por pouco não reclamando que o dia é claro e a noite escura.

De nada adiantará gastar fortuna em corredor, se ônibus estiver quebrado no caminho. (Foto: Álvaro Rezende/Correio do Estado)

Diante de situação assim, qualquer empresário por mais inexperiente que possa ser, não jogaria seu patrimônio fora, simplesmente fecharia o negócio indo procurar novos horizontes, lucro por menor que for e não viver em prejuízo como indicam os empresários do transporte coletivo. Mas no meio dos falatórios que a população suspeita ser mero jogo de cena entre as partes, a prefeitura abre o jogo mostrando o que entra nos cofres do consórcio do transporte coletivo.

O portal Midiamax, publicou às 12h37 desta segunda-feira (15), em reportagem das jornalistas Mylena Rocha e Dayane Albuquerque, informação da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos – Agereg – apontando que as empresas que atuam no transporte coletivo em Campo Grande através do Consórcio Guaicurus, tiveram faturamento só no ano passado, de R$ 169,4 milhões, ou quase MEIO MILHÃO POR DIA. A revelação foi feita durante a audiência pública sobre os ônibus, na Câmara Municipal.

Pelo sim pelo não, as duas partes, empresas e prefeitura, estão com a solução do problema em mãos. De um lado as empresas que alegam prejuízo com gratuidade, falta de logística por parte da prefeitura – buracos, sinalização deficiente – engarrafamentos e aplicativos – comunicar a prefeitura que em 90 dias encerrará as atividades. De outro, a prefeitura sob a alegação de serviço deficitário por conta de veículos velhos ou com defeitos, não cumprimento de horário, falta de ônibus nas linhas e clamor popular, comunicar as empresas ou ao Consórcio, que em 90 dias será aberta licitação para que ao menos cinco empresas diferentes assumam o transporte coletivo na cidade, sendo ítem obrigatório, que as empresas vencedoras contratem todos os funcionários do atual sistema. Simples assim.

“Manutenção” na rua, é o cotidiano visto pela população.