Votações importantes no Congresso levaram Temer a cancelar viagem à Ásia

O presidente Michel Temer decidiu cancelar a viagem que faria para a Ásia, entre os dias 5 e 14 de maio, conforme adiantou a Coluna do Estadão neste domingo, 29. O motivo oficial é o longo tempo que ele permaneceria fora do País e as consequências que isso traria para projetos importantes que o governo precisa aprovar na próxima sessão do Congresso, marcada para o dia 2.

Caso Temer deixasse o País, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), também teriam de sair do Brasil para não ficarem inelegíveis, já que ambos planejam disputar a eleição deste ano. E isso poderia afetar as negociações no Congresso.

Considerando o longo tempo de viagem, a importância de votações e de decisões a serem tomadas nos próximos dias e o fato de que o seu afastamento traria a necessidade de que também se afastassem do país os presidentes da Câmara e do Senado Federal, por serem candidatos na próxima eleição, o presidente Temer decidiu não mais realizar a viagem que faria a partir do dia 05/05 ao Sudeste Asiático, informou a Secretaria de Governo.

A principal preocupação do Palácio do Planalto seria, segundo interlocutores, a apreciação de um projeto de lei que abre crédito suplementar no valor de R$ 1,164 bilhão para reforço da lei orçamentária. Os recursos extras têm a função de cobrir dívidas não honradas pela Venezuela e Moçambique em empréstimos pelo BNDES e bancos internacionais que têm como avalista o Fundo de Garantia à Exportação (FGE), vinculado ao Ministério da Fazenda.

O presidente já havia encurtado o roteiro de seus compromissos no Sudeste Asiático na semana passada, mas acabou voltando atrás mais uma vez e optou por cancelar toda a viagem. O presidente também desistiu de compromissos na mesma região por recomendação médica.

Ainda assim, os assuntos políticos não seriam o único tormento a afetar o presidente da República. Uma das filhas de Temer, Maristela Temer, foi intimada a depor no próximo dia 2 em razão de investigação da Polícia Federal que sugere que o presidente tenha ocultado bens “lavando’ dinheiro de propina por meio de reformas em imóveis de parentes e transações imobiliárias em nome de terceiros.

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