Aviões roubados no aeroporto de Aquidauana estariam em aeródromo sob custódia judicial na Bolívia

Antônio Coca

Três aeronaves levadas durante assalto em setembro de 2021 teriam sido localizadas no Aeródromo Mondaca, em Cotoca; proprietários pedem autorização para recuperar os aviões

Três aeronaves roubadas durante um assalto no Aeroporto Municipal de Aquidauana, em setembro de 2021, teriam sido localizadas no Aeródromo Mondaca, no município de Cotoca, departamento de Santa Cruz, na Bolívia. Segundo as informações divulgadas, os aviões estariam no hangar 13 do complexo, que permanece sob custódia judicial das autoridades bolivianas por suspeita de vínculos com o narcotráfico.

As aeronaves permanecem apreendidas no aeródromo, também conhecido comercialmente como “La Cruceña”. O local está interditado e sem autorização para operações aéreas comerciais ou civis desde um megaoperativo antidrogas realizado em março de 2022.

O assalto ocorreu em 14 de setembro de 2021, quando 18 criminosos encapuzados e armados invadiram o aeroporto e roubaram as aeronaves. Conforme as investigações, o grupo teria levado simultaneamente os três aviões, escolhidos de acordo com a capacidade de carga de cada modelo.

Entre as aeronaves estaria um Bonanza V35B, matrícula PT ING, pertencente ao ex-prefeito de Aquidauana, Zelito Alves Ribeiro, e a Joel Jacques. Os outros dois aviões são do modelo Sky Lane. A aeronave de matrícula PT KDI pertence ao pecuarista José Henrique Trindade. Já a de matrícula PT DST é de propriedade do cantor e compositor Almir Sater.

Segundo o apurado na época pelo Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO) da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, atualmente desativado, a organização criminosa responsável pelo roubo teria contado com integrantes bolivianos.

As investigações brasileiras também apontam a suspeita de que as aeronaves tenham sido furtadas para serem utilizadas por traficantes de drogas. Até o momento, porém, as circunstâncias relacionadas à localização dos aviões e ao eventual uso das aeronaves por organizações criminosas ainda são apuradas.

Os proprietários cobram do governo da Bolívia autorização para que peritos brasileiros possam se deslocar até Santa Cruz e realizar os procedimentos necessários para identificar e recuperar os aviões. Eles também pedem a abertura de investigações em território boliviano para esclarecer a origem e a permanência das aeronaves no local e possibilitar a devolução dos bens aos seus legítimos proprietários.

O Aeródromo Mondaca permanece sob intervenção judicial, e a situação dos hangares continua sujeita às determinações do Ministério Público e do Ministério de Governo da Bolívia. As autoridades dos dois países ainda apuram as circunstâncias envolvendo a localização das aeronaves e os possíveis vínculos do caso com o narcotráfico.

 

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