Carlos Morandi
Ao chegarem ao local, os guardas municipais e conselheiros tutelares foram recebidos pelo idoso, que inicialmente tentou desqualificar a denúncia
Uma adolescente de 15 anos protagonizou uma ação de coragem e perspicácia para romper um ciclo de abusos na noite desta segunda-feira (11), na Vila Cachoeirinha, em Dourados. Utilizando um pequeno foco de incêndio em um terreno baldio como isca, a jovem conseguiu atrair forças de segurança para sua residência sem alertar o agressor: seu próprio avô, um idoso de 78 anos. O caso teve início por volta das 19h30, quando a central da GMD (Guarda Municipal de Dourados) recebeu um chamado da adolescente relatando fogo em uma área baldia próxima à sua casa. Segundo os agentes, a jovem demonstrava extrema urgência e questionava insistentemente o tempo de chegada da viatura.
A investigação posterior revelou que a presença real das chamas — de pequenas proporções — foi o pretexto ideal para que a menina solicitasse ajuda oficial sem despertar a suspeita do familiar, com quem reside. Cerca de dez minutos após o primeiro contato, a central recebeu uma segunda denúncia, desta vez via Conselho Tutelar, detalhando que a residência no mesmo endereço era palco de um crime de importunação sexual em andamento. Ao chegarem ao local, os guardas municipais e conselheiros tutelares foram recebidos pelo idoso, que inicialmente tentou desqualificar a denúncia e apresentar justificativas evasivas. No entanto, a vítima antecipou-se a qualquer tentativa de impunidade: ela apresentou aos agentes gravações de áudio capturadas de forma oculta em seu celular.
Nos registros, era possível ouvir claramente o avô proferindo frases de cunho sexual e investidas abusivas contra a neta. Confrontado com as evidências sonoras e o relato detalhado da menor — que confirmou que os episódios não eram isolados e já haviam ocorrido anteriormente — o idoso não teve argumentos para sustentar a negativa. O suspeito foi preso em flagrante e conduzido à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) de Dourados. Ele foi autuado pelo crime de importunação sexual (Art. 215-A do Código Penal), que prevê pena de reclusão de um a cinco anos, sem prejuízo de agravantes por se tratar de vítima menor de idade e relação de parentesco.
A adolescente recebeu suporte imediato do Conselho Tutelar e deve passar por acompanhamento psicossocial. O caso segue sob investigação da DAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) e da Delegacia de Atendimento à Infância e Juventude (DAIJI), que apurarão a extensão dos abusos e o histórico de convivência familiar. A Lei 13.718/2018 define a importunação sexual como a prática de ato libidinoso contra alguém sem a sua anuência, com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro. Casos que envolvem gravação de áudio e vídeo por parte da vítima têm sido fundamentais para a condenação de agressores em ambientes domésticos, onde a palavra da vítima ganha peso especial quando acompanhada de elementos
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