Antônio Coca
Casa, tratores e galpões da Fazenda Ypuitã foram destruídos pelo fogo na madrugada deste sábado. Polícia Militar, DOF e Força Nacional atuam na região de tensão.
Um grave conflito agrário foi registrado na madrugada deste sábado (25) na divisa entre Caarapó e Fátima do Sul. Um grupo de cerca de 50 indígenas invadiu e incendiou a sede da Fazenda Ypuitã. Os funcionários da propriedade rural foram ameaçados e expulsos do local. A ação violenta resultou na queima de diversos bens. A casa sede, galpões, tratores e implementos agrícolas foram totalmente destruídos pelo fogo, que também atingiu áreas de plantio. Devido à magnitude do incêndio e ao risco de as chamas se espalharem e atingirem uma área de reserva permanente, o Corpo de Bombeiros de Caarapó foi acionado para conter o fogo de grandes proporções.
Diante da invasão, a Polícia Militar foi mobilizada para tentar conter o conflito, enfrentando a ação do grupo indígena que estaria armado. A escalada da tensão demandou o reforço de segurança especializado: policiais do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), com o auxílio de um helicóptero, realizam patrulhamento ostensivo nas proximidades. O receio é de que outras propriedades rurais sejam invadidas e incendiadas na região. Homens da Força Nacional de Segurança também estão no local.
A Fazenda Ytapuã está localizada em uma área que tem sido palco de conflitos frequentes nos últimos dias. Na última sexta-feira (17), uma guarnição da Polícia Militar foi atacada por pessoas armadas e viaturas foram danificadas, após os policiais irem ao local checar denúncias de que trabalhadores rurais estavam sendo impedidos de trabalhar. Um Boletim de Ocorrência sobre o ataque à PM foi registrado na Polícia Civil. Carlos Eduardo Macedo Marquez, o “Kaká”, presidente do Sindicato Rural de Caarapó, expressou grande preocupação com a situação na manhã deste sábado (25). Ele ressaltou a intensa insegurança entre os produtores rurais, afirmando que incidentes como o vivido na Fazenda Ytapuã “acabam desestimulando quem produz e gera emprego e renda”.

Se moradores não fugissem seriam queimados.
“Não sabemos onde o Governo Federal quer chegar com esta política de criminalizar quem produz. Precisamos de soluções definitivas para as questões agrárias, de forma a contemplar aqueles que têm direito à propriedade rural e colocar um ponto final neste problema que já se arrasta há várias décadas, mas que tem piorado muito nos últimos anos”, cobrou Kaká. Os proprietários e trabalhadores rurais que foram expulsos da fazenda deverão se dirigir à Polícia Civil de Caarapó ainda na manhã de hoje para registrar o Boletim de Ocorrência. Um reforço no policiamento por parte da Secretaria de Segurança Pública é aguardado nas próximas horas para a área de conflito.

Ação indica que era para destruir toda a propriedade.
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