O governo federal minimizou a carta de condolências enviada pela Agência de Repressão às Drogas (DEA em inglês), do setor de Repressão às Drogas do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, ao secretário de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor dos Santos, por conta da Operação Contenção, contra o Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte da capital fluminense, que deixou 121 mortos — entre eles quatro policiais. O documento lamentou a morte dos agentes e o órgão norte-americano se coloca “à disposição para qualquer apoio que se faça necessário”.
Fontes do governo federal garantiram que a carta — assinada por James M. Sparks, representante da DEA no Consulado-Geral dos EUA no Rio — não representa ameaça à soberania nacional, pois consideram o conteúdo genérico e protocolar. Segundo as fontes, nada no documento indica afronta ao Poder Executivo ou ao Ministério das Relações Exteriores (MRE). Ao Correio Braziliense, o governo fluminense afirmou que as forças de segurança estaduais mantêm “constante troca de informações com instituições de combate ao narcotráfico dos Estados Unidos e de vários outros países”. “É nesse contexto que o DEA se coloca à disposição para qualquer apoio que se faça necessário (…). Essa interlocução nada tem a ver com qualquer permissão a ações do governo americano em solo brasileiro. Até porque não é permitido pela legislação brasileira”, destaca o Palácio da Guanabara.
Entretanto, o Instituto Fogo Cruzado (IFC) — organização que monitora, coleta e divulga dados sobre a violência armada no Rio e em outras capitais do país — sugere que o “apoio americano precisa ser visto com cautela”. Para Cecília Olliveira, diretora-executiva do IFC, qualquer avaliação sobre o impacto de um eventual apoio dos EUA é “especulativa”. “Trata-se, antes de tudo, de uma questão política e diplomática. Ainda não há evidências de que esse tipo de cooperação vá se traduzir em ações práticas na segurança pública do Rio. Mas é fato que o simbolismo desse apoio reforça uma narrativa que privilegia o confronto”, adverte.
Cecília ressalta que “o Brasil não precisa do DEA para fazer política de segurança pública” e que especular sobre uma possível cooperação “só gera alarmismo”. Ela defende que o país fortaleça o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), desenvolva uma política nacional de enfrentamento às facções e que sejam feitos investimentos em inteligência, perícia e investigação — que, como reforça, são “áreas historicamente negligenciadas”. “O que está claro, porém, é que a letalidade dessa operação não é fruto do acaso nem de falhas de inteligência, mas de uma estratégia deliberada. Os números do governo Cláudio Castro deixam isso evidente. Ele é, hoje, o governador com mais mortes em operações policiais desde a redemocratização”, explica Cecília.
Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV), enfatiza que o elemento central é a questão política. Para ele, a ação do governador fluminense foi uma tentativa de politização para tensionar a relação com o governo federal. Para ele, trata-se de uma carta genérica de solidariedade, que lamenta as mortes dos quatro policiais, e uma manobra do governo estadual. “Foi uma tentativa de politização. Para além disso, a comunicação em si, não vejo com grande assombro”, comentou.
A carta da DEA diz que “é com profundo pesar que expressamos nossas mais sinceras condolências pela trágica perda dos quatro policiais que tombaram no cumprimento do dever. (…) Reiteramos nosso respeito e admiração pelo trabalho incansável das forças de segurança do Estado e colocamo-nos à disposição para qualquer apoio que se faça necessário”. O documento observa, ainda, que “a missão de proteger a sociedade exige coragem, dedicação e sacrifício”.
Correio Braziliense
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