Aeronave Gulstream G 100 transportava o ouro.

Jato de empresário de MS é citado em investigação sobre tentativa de envio ilegal de ouro da Bolívia para Dubai

Carga de 189 quilos de ouro, avaliada em US$ 25 milhões, foi apreendida em Santa Cruz de la Sierra; defesa do Grupo Dallas afirma que aeronave apenas operava voo fretado e nega envolvimento da empresa

Um avião executivo pertencente ao empresário sul-mato-grossense Valdir Zorzo, proprietário do Grupo Dallas Alimentos, sediado em Nova Alvorada do Sul, é citado na investigação conduzida pelas autoridades da Bolívia sobre uma tentativa de exportação irregular de 189 quilos de ouro, avaliados em aproximadamente US$ 25 milhões.

A carga foi apreendida no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, e o caso ganhou repercussão nacional no país vizinho por envolver suspeitas de contrabando, falsificação documental e possível participação de servidores públicos. Segundo as autoridades bolivianas, o ouro seria transportado em um voo fretado com destino final a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

A apreensão ocorreu após agentes identificarem irregularidades na documentação apresentada para a exportação da carga. O responsável pelo carregamento, conforme a investigação, é o boliviano Ádrian Lema Roca, de 22 anos.

Ele foi preso preventivamente por 150 dias e encaminhado ao presídio de Palmasola. Outros cinco investigados chegaram a ser detidos, entre eles três servidores públicos ligados à Alfândega, ao Serviço Nacional de Registro e Controle da Comercialização de Minerais e Metais (Senarecom) e ao setor responsável pelos voos fretados do aeroporto de Viru Viru. Todos foram liberados após os primeiros depoimentos, mas seguem à disposição da Justiça.

Documentos divulgados pela imprensa boliviana apontam que a aeronave de matrícula PS-ZRZ, pertencente ao empresário Valdir Zorzo, ingressou na Bolívia no dia 21 de julho, após decolar de Campo Grande com escala em Corumbá. O formulário de autorização da viagem identifica como comandante do voo o piloto Jim Clark D’Angelo Macedo.

Conforme a investigação, o jovem preso pretendia embarcar levando quatro malas contendo o ouro. A suspeita é de que o metal seria exportado utilizando documentação falsa. O caso passou a ser conduzido pela Promotoria Anticorrupção do Ministério Público da Bolívia, que apura crimes de contrabando, comercialização ilegal de recursos minerais e enriquecimento ilícito em prejuízo do Estado boliviano.

Outro ponto investigado envolve a empresa Emporio Dorado SRL, registrada em La Paz em nome de dois estudantes bolivianos. Segundo informações divulgadas pelo portal boliviano Vision 360, a empresa teria realizado operações de exportação de ouro para uma compradora identificada como Asian Gold LCC, sediada em Dubai. As autoridades suspeitam que a empresa tenha sido utilizada como fachada para a comercialização ilegal do minério.

As investigações também passaram a apurar denúncias de que autoridades teriam feito contatos para tentar interceder pela liberação da carga apreendida. Até o momento, os investigadores não divulgaram nomes nem detalharam o teor dessas supostas interferências.

Defesa nega participação do Grupo Dallas

Em nota por meio de seu advogado, o Grupo Dallas Alimentos afirmou que não possui qualquer relação com a carga de ouro apreendida nem com eventual esquema investigado pelas autoridades bolivianas.

Segundo a defesa, a aeronave pertence ao proprietário do grupo empresarial e, quando não está sendo utilizada pela empresa, permanece disponível para operações de fretamento. De acordo com o advogado, a negociação desses voos é feita diretamente pelo piloto Jim Clark D’Angelo Macedo, que atualmente está nos Estados Unidos.
O representante da empresa informou ainda que, após os procedimentos realizados pelas autoridades bolivianas, a aeronave foi liberada e seguiu para Cuiabá, onde passa por manutenção de rotina.

Ainda conforme a defesa, a diretoria do Grupo Dallas marcou uma reunião para apurar internamente os fatos relacionados ao caso e reiterou que a empresa “jamais se envolveria em uma operação clandestina”. O advogado acrescentou que todas as informações levantadas serão encaminhadas às autoridades competentes, caso necessário.

Investigação continua

As autoridades bolivianas seguem investigando quem contratou o voo fretado, a origem do ouro, o destino final da carga e a possível participação de outras pessoas ou empresas no esquema. Até o momento, não há acusação formal contra o proprietário da aeronave ou contra o Grupo Dallas Alimentos, e a empresa sustenta que apenas disponibilizou o avião para um contrato de fretamento realizado por terceiros.

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