Agentes do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), apreenderam na residência do soldado da Polícia Militar, José Menino de Souza Araújo, R$ 350 mil em dinheiro vivo, durante operação deflagrada na quarta-feira (21). Servidor efetivo da PM, José Menino recebe salário mensal de R$ 10.605,01. Ele é um dos alvos da investigação que apura a atuação de um grupo suspeito de criar perfis falsos nas redes sociais, se passando por magistrados, com o objetivo de obter vantagens indevidas e influenciar terceiros. Os mandados foram emitidos pela Corregedoria do TJ.
O soldado foi alvo de um mandado de busca e apreensão e não está preso. Além da grande quantia em espécie, os investigadores também apreenderam cheques e notas promissórias na casa do militar e outros alvos; ao todo, a operação cumpre 10 ordens judiciais, sendo seis mandados de busca e apreensão e quatro de prisão. Um dos investigados não foi localizado e é considerado foragido. Entre os alvos estão quatro policiais militares e um advogado. O advogado Rafael Valente e o sargento da PM Eduardo Soares de Moraes tiveram mandados de prisão expedidos. Outro alvo identificado e preso é Christoffer Augusto dos Santos Souza, 27 anos. Ele é um criminoso apontado pelas equipes do Naco como um dos líderes da associação criminosa e responsável pela criação de um perfil falso em nome do presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira.
Efeito Zuquim
A operação é um desdobramento de uma suposta tentativa de armação contra o presidente do TJMT, ocorrida em agosto do ano passado. Na ocasião, o sargento Eduardo Soares solicitou um motorista de aplicativo para entregar um pacote contendo R$ 10 mil na portaria do Tribunal de Justiça. Segundo as investigações, o dinheiro seria destinado a um advogado. À época, Eduardo afirmou que teria agido a pedido do sargento Jackson Pereira Barbosa, apontado como intermediador da morte do advogado Renato Nery. A ex-esposa de Jackson, Laura Kellys, também teria participação no esquema. Em dezembro, o juiz João Francisco Campos de Almeida, da Sexta Vara Criminal de Cuiabá, chegou a revogar a prisão preventiva de Jackson Pereira Barbosa, Eduardo Soares de Moraes e Laura Kellys.
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