Operação resgata quase 800 animais silvestres e prende 18 pessoas em ação nacional contra o tráfico

Antônio Coca

Uma ampla força-tarefa de combate ao tráfico de animais silvestres, denominada Operação Libertas, foi deflagrada nesta quarta-feira (29) em onze estados brasileiros. A ação mobilizou Ministérios Públicos, Polícias Ambientais e diversos órgãos de fiscalização, resultando no cumprimento de 116 mandados e na prisão de 18 pessoas – sendo 7 preventivas e 11 em flagrante. O saldo mais significativo da operação é o resgate de quase 800 animais retirados ilegalmente da natureza. A maioria são aves dos biomas Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, incluindo espécies ameaçadas de extinção, que seriam destinadas a feiras clandestinas e comércio irregular. Entre as espécies apreendidas, destacam-se papagaios, coleirinhos, trinca-ferros, tucanos, além de quelônios e gatos de bengala.

A Operação Libertas é coordenada pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), por meio do Projeto Libertas, e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A ação conta com o apoio da Freeland Brasil e financiamento do Escritório de Assuntos Internacionais sobre Narcóticos e Aplicação de Lei dos Estados Unidos (INL). A investigação revelou que, além do tráfico de fauna, os alvos da operação também praticavam crimes associados, como receptação, falsificação de documentos e de sinais públicos, maus-tratos e organização criminosa. Durante as buscas, foram apreendidas armas de fogo, veículos, dinheiro em espécie, documentos, celulares e gaiolas.

Mato Grosso do Sul foi um dos estados participantes, ao lado de Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Alagoas, Ceará, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Maranhão e Bahia. A Abrampa é presidida pelo promotor de Justiça e coordenador do Núcleo Ambiental do MPMS, Luciano LoubetNo estado, foram vistoriados 35 locais em Campo Grande, Bataguaçu, Batayporã e Ivinhema, em uma ação conjunta do Instituto de Meio Ambiente de MS (Imasul) e da Polícia Militar Ambiental (PMA).

O balanço no Mato Grosso do Sul inclui:

• Uma ave curió apreendida.

• Um filhote que permaneceu com o criador como fiel depositário.

• Aplicação de multa de R$ 500,00.

• Cinco notificações emitidas por irregularidades como manutenção de aves exóticas sem nota fiscal e omissão na comunicação de óbito de animal.

Os animais resgatados foram encaminhados a centros de reabilitação do Ibama e de órgãos estaduais, onde recebem cuidados veterinários. O objetivo é devolvê-los à natureza sempre que possível. Os que não possuem condições de sobrevivência serão destinados a criadouros conservacionistas ou zoológicos autorizados. “A operação deflagrada hoje é uma resposta contundente do Estado para proteger nossa fauna, essencial para o equilíbrio ambiental. As investigações seguem para consolidar provas e oferecer denúncia criminal pelos crimes de tráfico de fauna, maus-tratos, associação criminosa e lavagem de dinheiro”, destacou Luciana de Paula Imaculada, promotora de Justiça do MPMG e coordenadora da operação. A ação reforça o compromisso do Ministério Público brasileiro no combate a um crime que “ameaça espécies inteiras e compromete os serviços ecossistêmicos essenciais à vida”, conforme afirmou Juliana Ferreira, diretora-executiva da Freeland Brasil.

 

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