A Polícia Federal decretou luto oficial de três dias pela morte do policial federal Michel Brasil Saliba, nesta sexta-feira (3). O agente foi baleado durante uma operação realizada na quinta-feira (2), em Passo Fundo (RS), por um policial militar, que foi preso em flagrante.
O decreto foi assinado pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que acompanhará, junto aos demais diretores da instituição, os atos fúnebres na cidade de Bagé. O servidor, que desde abril deste ano ocupava a função de chefe da Delegacia de Polícia Federal em Chuí (RS), estava internado no Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo.
Juntamente com Saliba, outro agente também havia sido atingido durante a ação que tinha como objetivo desarticular um sistema financeiro paralelo utilizado para sustentar um esquema de contrabando de mercadorias provenientes de Miami, nos Estados Unidos. O outro policial chegou a ser hospitalizado, mas já foi liberado.
Segundo a Brigada Militar do Rio Grande do Sul, o policial militar teria atirado enquanto policiais federais cumpriam um mandado judicial contra a esposa do agente.
A ABAMF (Associação Beneficente “Antonio Mendes Filho” dos Servidores da Brigada Militar e Corpo de Bombeiros Militar do RS) se manifestou sobre o ocorrido, lamentando a morte do servidor, e informou que o policial militar responsável está licenciado de suas funções, a pedido próprio, para tratar questões pessoais relacionadas à saúde da mãe.
Segundo a associação, o policial militar não teria identificado que os indivíduos que arrombaram a porta de sua casa eram policiais federais e, por isso, reagiu “de forma instintiva para proteção própria e de sua companheira”. Após reconhecer os agentes, o PM teria buscado prestar auxílio aos feridos.
Em nota, a defesa do policial militar, representada pelos advogados José Paulo Schneider e Ricardo Almeida, lamentou a tragédia e afirmou que o agente não tinha conhecimento de que os homens que entraram em sua casa eram agentes do Estado.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública manifestou profundo pesar pela morte de Michel. “O ministro expressa solidariedade aos familiares, amigos e colegas da Polícia Federal, reafirma o compromisso do Governo Federal de prestar todo o apoio necessário neste momento de dor e registra seu reconhecimento pela dedicação, pelo profissionalismo e pelo compromisso do delegado Michel Saliba com a segurança pública e a defesa da sociedade”, afirmou em nota.
“A defesa técnica do Policial Militar lamenta o trágico desfecho desta ocorrência. Registra-se, ademais, o mais sincero respeito por toda a corporação da Polícia Federal, em especial à família enlutada. Explica-se que o Policial Militar foi afastado das suas funções a pedido próprio, para tratar de interesse particular, envolvendo situação de saúde de sua genitora.
Importante salientar, também, que o Policial Militar sempre ostentou conduta profissional ilibada, possuindo diversos registros positivos em seu histórico funcional. Registra-se que, segundo o relato do Policial Militar, ele não teria identificado as pessoas que arrombaram a porta de seu apartamento como Policiais, tendo reagido instintivamente para proteção própria e de sua companheira.
Após ter ciência de que se tratava de agentes da Polícia Federal, o Policial Militar buscou prestar todo o apoio necessário para o salvamento dos agentes federais. A
real dinâmica do ocorrido está sendo apurada pela Polícia Federal, não sendo produtivas, neste momento, quaisquer ilações e afirmações apressadas sobre o que realmente aconteceu.
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