Líderes de todo o mundo se reunirão a partir desta quinta-feira (6) para o início das atividades da COP30 em Belém. A cúpula de chefes de Estado e governo, com duração de dois dias, antecede as negociações diplomáticas da 30ª conferência das Nações Unidas sobre mudança climática, de 10 a 21 de novembro. Os eventos acontecem no Parque da Cidade, construído especialmente para abrigar a COP. Deve haver discursos de mais de 130 autoridades internacionais, além de entidades multilaterais, como o Banco Mundial e a Agência Internacional de Energia. Estão previstas a participação do príncipe William, encerrando sua agenda de compromissos no Brasil, e de líderes europeus, como o presidente da França, Emmanuel Macron, o premiê da Alemanha, Friedrich Merz, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Outros membros do G20 —bloco responsável por cerca de 80% das emissões de carbono do mundo—, como Índia, África do Sul e Arábia Saudita, devem enviar ministros. A China será representada pelo vice-premiê Ding Xuexiang. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abrirá as falas da chamada Cúpula do Clima, no que será seguido por chefes da ONU e da Organização Meteorológica Mundial e dois representantes da sociedade civil. Simultaneamente à plenária, os líderes mundiais debaterão temas como a importância das florestas e do oceano para regulação do clima e manutenção da vida na terra, transição energética, financiamento climático, um balanço dos dez anos do Acordo de Paris e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).
Proposto pelo governo brasileiro, o mecanismo visa remunerar nações que preservem sua vegetação nativa e é uma das principais apostas do Brasil para a COP30. A ideia é que o lançamento oficial do fundo ocorra já na quinta-feira, após um almoço de líderes, e que diferentes países não apenas anunciem seu apoio à iniciativa, mas também que se comprometam a serem investidores. Idealmente, o fundo seria composto por US$ 125 bilhões (cerca de R$ 670 bilhões), sendo US$ 25 bilhões vindos de investimentos de países e US$ 100 bilhões do capital privado.
Até agora só Brasil e Indonésia ofereceram aportes ao fundo —US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,3 bilhões) cada um. Alemanha e Noruega são citadas, nos bastidores, como os países que estão mais perto de aderirem com aportes ao TFFF. Representantes da China têm apoiado publicamente o mecanismo, mas ainda sem investimento. Além da declaração em apoio ao TFFF, o Brasil deve apresentar na cúpula outros três compromissos: um chamado à ação pelo manejo integrado do fogo e combate a incêndios, um compromisso para quadruplicar os combustíveis sustentáveis (seja etanol ou outros biocombustíveis), e uma declaração sobre fome, pobreza e ação climática.
“São todas importantes declarações que estão sobre a mesa; foram negociadas e estão abertas à adesão, cada país pode aderir, se estiver de acordo com suas posições”, afirmou o chanceler Mauro Vieira nesta quarta-feira (4). Ele disse que diplomatas de diversas nações demonstraram interesse em assinar esses documentos, mas que o anúncio será feito somente na cúpula. O mesmo vale para investimentos no TFFF. Além destes temas, os líderes devem discutir propostas para ampliar medidas climáticas voltadas para o oceano —que é o principal sumidouro de dióxido de carbono do planeta, absorvendo cerca de 30% do gás emitido. O Brasil deve propor que as autoridades presentes se manifestem pela ampliação dos recursos para os mares.
O encerramento dos debates tratará dos dez anos do Acordo de Paris, assinado em 2015, e de como a COP30 pode ser usada para fortalecer o multilateralismo. Devem ser abordados aspectos como lacunas na ambição climática e na implementação de políticas de descarbonização, assim como a facilitação do financiamento.
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