UPA Almeida em reforma sem fim.

Servidores e sindicalistas vão a câmara contra a “terceirização” da saúde

O dia amanheceu com grande movimentação de servidores e sindicalistas na Câmara de Campo Grande. Eles, assim como grande parte da população, são contrários ao projeto da Prefeitura de terceirizar dois Centros Regionais de Saúde de Campo Grande. Os manifestantes creem que haverá ainda maior precarização na oferta de saúde ao campo-grandense e que o sistema não é feito para dar lucro. O grupo é radicalmente contra a proposta e os protestos miram, sobretudo, o vereador Rafael Tavares (PL), o maior defensor do projeto.

Na movimentação, a vereadora Luiza Ribeiro (PT) pediu aos servidores da Casa que fizessem a organização da entrada dos manifestantes, em razão da grande quantidade de pessoas na frente da Câmara. No início de sua fala, o vereador Maicon Nogueira disse que o projeto em questão não teria condições de ser pautado no dia e que há risco enorme para a sociedade na terceirização da Saúde da Capital. Jean Ferreira (PT) disse que a terceirização é uma ameaça que chega ”sorrateira” ao se referir ao projeto piloto que a prefeita enviou à Câmara. Muitos manifestantes se mostram preocupados com a situação e fazem o ato de forma exaltada com faixas e cartazes cobrando os vereadores para que rejeitem a proposta.

A prefeita Adriane Lopes (PP) encaminhou o projeto para apreciação do parlamento. O texto traz que o projeto piloto de gestão compartilhada da Sesau com organizações da sociedade civil nos CRSs Aero Rancho e Tiradentes. O prazo da ação experimental é de 12 meses contados após a formalização do instrumento de parceria.

Saúde em coma na Capital

Para grande parte da população, principalmente para quem depende dos Centros de Saúde e UPAs, a terceirização é tentativa de lançar cortina de fumaça no problema, quando pessoas estão morrendo a “mingua” a espera de atendimentos em UPAs ou postos de saúde. Na prática, as UPAs de Campo Grande estão transformadas em “centro antecipado da morte. Quando se tem notícias de pessoas em fase inicial de AVC – Acidente Vascular Cerebral – Esperando horas e horas sobre uma cadeira por um atendimento que quando ocorre, se limitar a colocar o paciente sobre uma cama com soro em um braço a espera de quando terá uma vaga e transporte para hospital.

Farmácias a cargo da prefeitura em alguns postos, CRS ou UPAs estão “depenadas”, em alguns casos existe apenas o Dipirona. O atendimento em UPAs literalmente é um caso de polícia quando se depara com até cinco horas por atendimento. Além dessas deficiências, existe o abandono de UPAs, como a da Vila Almeida que ao longo dos últimos anos está em obras de reforma que nunca acabam. Paralelamente, a unidade é suja, banheiros imundos, alguns sem descarga, portas que não funcionam, falta de roupa de cama e cadeiras quebradas e calor infernal devido à falta de ar condicionado ou ventiladores, além de baratas circulando por todos os lados.

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